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domingo, 15 de abril de 2012

Sawabona! Sikhona!




Como costumo trabalhar com Mapas conceituais, em sala de aula, optei por organizar a informação desses seminários dessa forma

Seminários 4, 5 e 6







Trabalho Transdisciplinar de Ivone Gonçalves


sábado, 7 de abril de 2012

Quarta tentativa


Seminário IV  A arte de viver consciente
Elizabete Richard

Seminário V  O feminino e a cura
Eliezer Berenstein






Não te prendas a nada que com o tempo venha a te destruir. George Ivanovitch Gurdjieff (1866-1949)

Para os indígenas andinos, o deus Wiracocha, “hacedor del mundo” (INCHAUSTE, 1999 p.23), foi o criador das montanhas, do mar, do céu, da lua, do sol, da terra e dos primeiros homens. Esculpiu-os em pedra de tamanho descomunal e os pintou; mas eles eram maiores que o deus e isso não era bom. Então, os desfez e os esculpiu do seu tamanho. Foi assim que os fez a sua imagem e semelhança. Mas entre eles se disseminou o vicio, a soberba e a cobiça, o que provocou a fúria de Wiracocha e ele zangou-se, castigando-os. Alguns foram convertidos em pedra; outros, a terra engoliu e, finalmente, o “hacedor del mundo” mandou um dilúvio à Terra. Todos os homens se afogaram e se destruiu tudo o que fora criado. Passado um tempo, Wiracocha retornou e determinou povoar a Terra pela segunda vez e aperfeiçoar a sua criação. Criou novos homens feitos do pó da terra. “A cada uno le dio un espíritu y le pintó el vestido que debía usar.” (INCHAUSTE, 1999 p.27). Reuniu-os em nações e lhes deu a língua com a qual deviam falar, os cantos que deviam entoar; além da comida, as sementes para cultivar e alimentar-se. Observamos que, no mito indígena, houve três tentativas para aperfeiçoar o ser humano. A primeira foi destruída porque os homens eram maiores do que o deus Wiracocha; a segunda, eles foram vulneráveis aos vícios e punidos com o desaparecimento. Após algum tempo, foram criados pela terceira vez; dessa vez, tinham um espírito e, ao longo da sua existência, compuseram-se de deficiências e antideficiências.
A logosofia caracteriza o ser humano por deter deficiências e antideficiências, que coexistem. Alguns exemplos de pensamento-deficiência são: a soberba, a rigidez, a indiferença, a teimosia e outros. Como exemplo de correspondência pensamento-antideficiência, cita a humildade, a flexibilidade, o interesse, a docilidade etc. Para Pecotche (1976), as deficiências são o pensamento negativo que, enquistado na mente, exerce forte pressão sobre a vontade do indivíduo, sendo denominado de pensamento-deficiência. Esta é a causa “determinante da incapacidade e impotência dos esforços humanos à procura do despertar consciente nas altas esferas do espírito” (PECOTCHE, 1976 p.11). Por outro lado, o pensamento que se opõe à deficiência é a antideficiência. É uma espécie de “pensamento-polícia que deve ser instituído na mente com o objetivo de vigiar, repreender e paralisar, temporariamente ou definitivamente, o pensamento-deficiência”. (PECOTCHE, 1976 p.21)

Mercê de seu influxo, a vontade se fortifica e opera sobre a inteligência, instando-a a movimentos mentais tendentes a anular o despotismo que o pensamento-deficiência exerce sobre os mecanismos mental, sensível e espiritual do homem. (PECOTCHE, 1976 p.20)

Após expressar como opera o pensamento-antideficiência frente ao pensamento-deficiência, o autor explica que ativar o pensamento-polícia depende unicamente do individuo. Para isso, conta sobre um fazendeiro de outras épocas, cujas terras foram invadidas por feras, as quais, após assolarem seus campos, ávidas de sangue, se lançam contra sua vivenda com o objetivo de devorá-lo. Suponham que alguém tivesse feito chegar ao fazendeiro armas de fogo para a defesa de sua vida, armas que jamais tinha visto e cujo uso, em conseqüência, desconhece. O que fará o fazendeiro para defender-se das feras com as armas de fogo se não sabe empregá-las? As armas simbolizam os conhecimentos internos que residem no âmago do ser humano e, uma vez acessado por ele mesmo, estará preparado para exterminar as feras e “livrar a propriedade mental de todo ente maligno.” (PECOTCHE, 1976 p.23)
Porém o ser humano não saberá defender-se se ignorar que é portador de pensamento-deficiência “[...] seu possuidor, em geral, permanece alheio a isso”. (PECOTCHE, 1976 p.19) Não consentir os pensamentos-deficiência impede o desenvolvimento das possibilidades mentais e espirituais de todo ser humano com vistas ao aperfeiçoamento humano. O processo de evolução humana se dá mediante o conhecimento do pensamento deficiente e da predisposição em neutralizá-lo, caso contrario “[...] as deficiências serão sempre deficiências enquanto o homem nada fizer por extirpá-las.” (PECOTCHE, 1976 p.24) Por outro lado, “é preferível conhecer que inimigos temos dentro, para combatê-los com lucidez mental, a ignorá-los, [...]”, (PECOTCHE, 1976 p.15). Para combater com lucidez mental, deve-se perceber o próprio mundo interno e fincar-se no singular e integral labor interno do auto-conhecimento que assinala uma ação irrenunciável do processo de evolução consciente “[...] e já se sabe com quanto viço, frescor e força revive a árvore depois que lhe podamos os galhos inúteis, livrando-a das pragas que a estiolam”. (PECOTCHE, 1976 p.15).
Durante o seminário IV A arte de viver consciente, praticamos na meditação Quem é você a poda daqueles galhos inúteis, porém não foi suficiente porque no seminário V sobre o feminino e a cura, afloraram pensamentos-deficiência por parte dos aprendizes, como do facilitador, contexto que serviu para perceber a dificuldade do ser humano em enfrentar ações, atitudes, sentimentos, emoções e experiências que não convergem com as suas. Revelou-se a inaptidão que há em acolher a pluralidade existente, ou seja, ouvir, ver, sentir e viver o que é díspar ao entorno, a incapacidade de congraçar o outro, a inabilidade em impregnar-se do outro. Diante das reações dos participantes e do facilitador durante o seminário, constatamos o entorpecimento que a matriz newtoniano-cartesiana exerce nos humanos. Essa constatação ressoou no movimento de decomposição e composição, quer dizer, detectar dentro de si a indumentária dos pensamentos-deficiência e então desvestir-se deles para lograr um novo estado de consciência. “Viver consciente implica em conhecer o mapa da evolução do ser humano.” (WEIL, 2004 p.55). Quiçá o “hacedor del mundo” esteja sussurrando a chegada da quarta tentativa, ou seja, da era impregnada de uma nova consciência, e que para fazer parte dela é imprescindível livrar-se das feras.


Referências
CAMARGO, Lucila. Diálogos evolutivos: uma proposta de novo olhar sobre velhos paradigmas. 2011. Unipaz- SP.
INCHAUSTE, Isabel Mesa de. El espejo de los sueños. La paz, Bolivia: Alfaguara Juvenil, 1999.
PECOTCHE, Carlos Bernardo Gonzáles. Deficiências e propensões do ser humano. 2. ed. São Paulo: Logosófica, 1976.
TAUNAY, Daniel. Ciência e espiritualidade. 2011. Unipaz- SP.
TAVARES, Clotilde. Iniciação a visão holística. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2000.
WEIL, Pierre. A arte de viver a vida. 2. ed. Brasília: Letrativa editorial, 2004.


Trabalho transdisciplinar Marcia Eliane

“Avá”


Seminário V O feminino e a cura
Eliezer Berenstein

Seminário VI Tradição ancestral brasileira
Kaká Werá Jecupé


“Avá”


Tudo está relacionado entre si. O que fere a terra fere também os filhos da terra. Não foi o homem que teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer à trama, a si próprio fará. Pele Vermelha Seattle (1856)

Nos seminários O feminino e a cura e Tradição ancestral brasileira, os facilitadores Eliezer, de origem judia, e Kaká, de origem indígena, possuem algo em comum: eles são curadores. O primeiro esboçou o funcionamento da medicina dentro da matriz newtoniano-cartesiano, e Kaká, por sua vez, evidenciou a prática da cura dentro de concepções holísticas.
Eliezer explicou a atividade da medicina na matriz, a partir dos temas da formação acadêmica do aluno de medicina, “[...] jovens graduados aprenderam muito mais a respeito do mecanismo da doença, [...] eles são excessivamente “científicos” e não sabem cuidar dos pacientes.” (LESHAN, 1994 p.121), da relação entre médico e paciente, “[...] uma relação de poder, autoritária, onde se exige a submissão do doente [...]” (TAVARES, 2000 p.89) e do processo saúde-doença “[...] doença como uma “coisa” e não como parte de um processo vital global.” (LESHAN, 1994 p.118) Para Biase (2010), o contexto descrito atende as características do paradigma newtoniano-cartesiano,

analisa as doenças através de uma óptica essencialmente dualista, mecanicista e reducionista, separando mente e corpo, e encarando o homem como uma máquina que só pode ser compreendida desvendando-se os processos bioquímico-moleculares.(BIASE, 2010 p.77)

É fato que a visão da medicina atual diante dos seres humanos “é a mesma dos mecânicos com relação às máquinas.” (LESHAN, 1994 p.127). Acrescenta Tavares (2000) que a prática médica ocidental concebe o corpo humano como um mecanismo que funciona como uma máquina; compreende a doença como avaria e a saúde como o funcionamento perfeito dessa máquina, que compete ao médico consertá-la. Diante disso, deprende-se que nenhum “[...] sistema do corpo [...] está livre da ameaça de não poder funcionar bem sozinho ou recuperar-se sem ajuda caso venha a sofrer um distúrbio”. (LESHAN, 1994 p.115) Esquecera-se por completo de que o ser humano possui “[...] dentro de si processos restauradores de cura inerentemente naturais [...]”. (LESHAN, 1994 p.140) Ressalta que a “[...] abordagem cartesiana e mecanicista de nossa medicina científica falha, ao não incluir o homem em uma concepção mais abrangente, sistemática e ecológica, capaz de integrá-lo ao meio biopsicossocial” (BIASE, 2010 p.77). Na matriz perdeu-se “de vista a totalidade do ser humano e o funcionamento do organismo como um sistema vivo cujos componentes são interligados e interdependentes” (TAVARES, 2000 p.86) e, por sua vez, fazem parte de organismos maiores que o afetam, mas que podem ser também, modificados por eles. Considerar o homem numa concepção mais abrangente, para Tavares (2000), modifica as questões relacionadas ao processo saúde-doença. Assim como também “das relações sociais e econômicas que se dão no contexto da sociedade”. (TAVARES, 2000 p.89). A cura “não é possível sem uma expansão da consciência”. (DETHLEFSEN; DAHLKE, 2007 p.19)
Leshan (1994) aponta três princípios básicos da medicina holística: a totalidade, (quer dizer o ser humano é parte integrante do universo e inseparável); a unidade da pessoa, (ou seja, o sujeito compreendido a partir de todos os níveis físico, mental, emocional e espiritual), e a qualidade única de cada pessoa, (isto é, há um caminho diferente e único para cada individuo). Acrescenta que nenhum desses princípios pode ser validamente reduzido à nenhum outro. Para Tavares (2000), o indivíduo traz dentro de si esses preceitos e, segundo Leshan (1994), eles estimularão a capacidade do sanar no ser humano. O estado de saúde dentro da visão holística “pode ser definido como um estado de harmonia entre o corpo, a mente e o ambiente.” (TAVARES, 2000 p.89)
Adepto da saúde holística, Kaká Werá acrescenta “[...] nós somos multidimensionais e, que embora cada um de nós seja uma unidade, temos várias inteligências interagindo conosco [...].” (WERÁ s/d) Ele demonstrou que o ser humano possui instrumentos de cura interna. O sanar está na conexão entre o homem e a natureza, e nessa relação consta a sabedoria dos antepassados. Na mitologia Tupy, o ser humano é concebido como um som que se pôs de pé. Trata-se de identificar o ser humano, não pelo aspecto físico, mas pela sua essência vibratória, que se manifesta como consciência, de onde são emanadas as palavras e os intentos que se expressam através do sentimento e das suas respectivas ações. Então o ser humano é detentor de uma dimensão ecológica e espiritual que suporta o aspecto físico e psíquico; porém ele “[...] esqueceu que, entre nós e a natureza, existe uma intimidade tão profunda e antiga, que se une com a origem da vida.” (WERÁ s/d).
Na tradição Tupy, o ser humano é oriundo da mãe terra; explica que os quatro seres alados da natureza: Karai, Yacy, Tupancy, Jakairá, que são como deuses, teceram o primeiro ser humano e o espírito da terra, pois os seres alados são originários do espírito da Mãe Terra. Na ancestralidade Inca a cura acontecia quando se pedia ao corpo enfermo que se harmonizasse com a Pachamama, ou seja, com a mãe terra. Era nela que se encontrava a cura. Para Werá (s/d) a Mãe Terra é venerada nas culturas de matriz ancestral, pois ela traz a luz à forma através do espírito do fogo, o espírito da água, o espírito da terra e o espírito do ar que são regidos pelo coração da terra. “[...] a Terra é a manifestação física do divino, a manifestação física de Deus, e é a face feminina de Deus. [...], Deus se realiza através dela.” (WERÁ s/d). Unir-se à natureza de maneira celebrativa e ou ritualística, invocando ancestrais divinos promove a harmonização, quer dizer, a cura do ser humano em todas as suas dimensões física, mental, emocional e espiritual.
Os pássaros, [...], conseguem livrar-se com bastante êxito dos insetos parasitas, cobrindo-se de poeira.” (LESHAN 1994, p.119) É sabido que esse procedimento atua, obstruindo os poros respiratórios dos insetos, fazendo com estes abandonem o corpo das aves. As ferramentas para sarar acionada pelos pássaros também habita no ser humano. Verificamos que a cura, como um instrumento de sabedoria interna e inerente ao ser humano foi exilada do modelo newtoniano-cartesiano. Porém, dentro das concepções da medicina holística o sanar consta na manifestação do “avá”, que significa, em Tupy, ser humano integrado.


Referências

BIASI, Francisco di. O homem holístico: a unidade mente-natureza. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
BOFF, Leonardo. O despertar da águia: o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade. 20. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
DETHLEFSEN Thorwald; DAHLKE Rudiger. A doença como caminho: uma nova visão da cura como ponto de mutação em que um mal se deixa transformar em bem. Tradução Zilda Hutchinson Schild. 14. ed. São Paulo: Cultrix, 2007.
KIPERNSAIN Paloma. Agosto: Mes de la Pachamama Disponível em: < http://blogs.educared.org/pescandoideas/2007/08/18/agosto-mes-de-la-pachamama/ > Acesso em: 29 de ago. de 2011.
LESHAN, Lawrence. Meditação e conquista da saúde. São Paulo, Editora Pensamento, 1994.
RAUNÍCEAU, Jocelyne. Nuestros ancestros y las diferentes inteligencias del cuerpo humano. Disponível em: < http://www.slideshare.net/carlitos rangel/presentations > < http://hooponopoenvenezuela.wordspress. > Acesso em: 31 de ago. de 2011.
TAVARES, Clotilde. Iniciação a visão holística. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 2000.
WASHINGTON, Araújo. Estamos desparecendo da terra. A visão Bahá í sobre o destino glorioso dos povos indígenas da América – 1492/1992. 1 ed. Campinas, SP Editora Bahá í do Brasil, 1991.
WERÁ, Kaká. A árvore da ancestralidade. Ecomedicina Tupy. s/d.


Trabalho Transdisciplinar  Marcia Eliane


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Trabalho transdisciplinar de Mary


a) A ARTE DE VIVER CONSCIENTE. Elizabeth Richard. Junho/2011
b) O FEMININO E A CURA. Dr. Eliezer Berenstein. Julho/ 2011
c) TRADIÇÃO SAGRADA ANCESTRAL BRASILEIRA. Kaká Werá. Agosto/2011        


            Ao tomar nota da frase dita por Eliezer “A maioria dos problemas ginecológicos tem suas raízes nas dificuldades que o mundo moderno oferece  à existência humana feminina”, um estranhamento percorre meu corpo, como se procurasse meu âmago e uma resposta àquela frase tão contundente. Sinto um misto de deslocamento, indignação e perplexidade, como se minha existência fosse questionada pelo mundo e por mim mesma. Durante todo o seminário este conflito interno se manifesta, provocando interrogações e questionamentos, “motins”, batalhas e por fim, bandeiras brancas hasteadas. Imagens de uma passeata na Paulista, onde mulheres de todos os lugares levavam cartazes com diferentes bandeiras políticas me vêm à mente, e eu, empunhando um cartaz “Fora Bush!!” , me vejo perdida em meio ao spray de pimenta,   à correria e ao pânico ... Será que eu tinha consciência então deste “feminino” sobre o qual ouço agora? 
Confesso que este seminário em especial provocou em mim várias sensações e sentimentos, e principalmente, o terrível incômodo de me olhar em frente a um espelho e de me questionar “O que você está fazendo consigo própria?”. Há tempos atrás esta questão nada mais era do que uma questão de sobrevivência, ou seja, como diz a canção “Peace on Earth”, da banda irlandesa U2, “... e você se transforma num monstro para que o monstro não o destrua”. Entretanto, uma “correção no percurso”, ao percebermos as conseqüências de nossas decisões, é sempre bem-vinda.  
A imagem da ciranda feita pela Cris, Verinha e Luciano, orquestrada pela Laura, na aula da Betinha, fazendo uma alusão ao equilíbrio entre o boi (instinto), o leão (emoção) e a águia (razão), espoca em minha mente como um flash e me pergunto se este equilíbrio é realmente possível... E junto a isso tudo, ouço a música “Forbidden Colors”, do filme “Furyo – em nome da honra”, com David Bowie e Riyuchi Sakamoto, música esta escolhida pela Betinha para trabalhar o conceito da Serpente, aquela que “dirige toda a cena” e me desconcentro totalmente, pois esta música marcou todo o meu período da faculdade, repleto de amizades, descobertas, libertações e construções de sonhos para o futuro. Que coincidência, ou melhor, sincronicidade: momentos tão importantes, iniciáticos em minha vida, que são pontuados por uma mesma canção.
É claro que com tantos estímulos advindos destes seminários, começo a me lembrar e a reavaliar e refletir sobre conceitos tão presentes em mim já há tempos e a reviver emoções muito bem guardadas em mim.  Lembro-me de um sonho que tive, há muitos anos, em que estava numa sala de aula, muito enfadonha e da qual estava louca para sair. Então, o professor disse que daria início a uma aula sobre “geografia submarina”, sobre a qual pensei “Pode ser interessante”. Imediatamente após este pensamento, a sala de aula se transformou num grande cinema 360°, com imagens belíssimas do fundo-do-mar, cardumes de peixes coloridos e brilhantes, corais, algas, enfim, um mundo que eu não conhecia. Fiquei extasiada, literalmente, por estas imagens, as quais passeavam por toda sala, como se fossem holográficas. Fui tomada por um sentimento de alegria, quase êxtase mesmo, e continuei a observar todos os detalhes. De repente, as imagens começaram a diminuir, pouco a pouco, mas a riqueza dos detalhes continuava, mesmo porque eu os havia vivenciado e sabia que eles estavam todos ali. As imagens foram diminuindo, diminuindo, diminuindo, até ficarem todas concentradas num aquário pequeníssimo e redondo, colocado aos nossos pés. Lá estávamos todos nós, os alunos, olhando para os nossos próprios pés, como índios abraçados num círculo, cabeça a cabeça, mirando o centro dele e bem no meio dele um pequenino aquário também circular, com uma vida marinha rica, variada, bela e tão detalhada que eu me perdia em meio a ela. Levantei os olhos para cima e pensei “Então é isso: o macro é o micro e o micro é o macro. Se pudéssemos compreender isto, não nos mataríamos e nem mataríamos a natureza.” Despertei, abri meus olhos e chorei por uns dez minutos, um choro de emoção, compreensão e alegria. Foi um momento de cura marcante em minha vida, uma das várias pelas quais venho passando e pelas quais nutro uma profunda gratidão. É impressionante como somente o recordar desta experiência me traz para o momento, o aqui e agora, de forma incontestável, é como se uma pequena luz se acendesse e me iluminasse por inteira lembrando-me do que realmente importa, daquilo que realmente faz sentido e é verdadeiro dentro de mim.
Quando Kaká menciona “o guerreiro de seu interior” e os dez passos para configurarmos nossa mitologia, pressinto uma cura interior sendo trabalhada conjuntamente com a Natureza, um processo de reaprendizagem e retorno a mim mesma e à sabedoria da Mãe Natureza e do Cosmos. Como diz a personagem Tsahik, a Mãe da Tribo Omaticaya no filme “Avatar”, a Jake Sully, soldado humano que tem ordens de se infiltrar na tribo, conhecer os hábitos e aprender sobre os pontos fracos da mesma e, assim, dominá-la: “Aprenda bem, Jake Sully, e então veremos se sua insanidade pode ser curada”, diz ela, na esperança de que, assim como Jake deseja aprender sobre a tribo no intuito de dominá-la, o próprio conhecimento possa transformá-lo e trazê-lo de volta à sanidade.  Sim, uma alegoria à nossa própria sociedade, cuja  “insanidade”  nos entorpece, cega e ensurdece. Somos anestesiados pelo que vemos,  respiramos, bebemos, sentimos ao nosso redor e, muitas vezes, em nosso interior, pelo que vendemos e compramos todos os dias. Felizmente,  parece que, pouco a pouco, tudo isto começar a se transformar, com a ajuda de conhecimento antigo e ciência de vanguarda, terapias complementares, Natureza, disciplina e paciência.
De forma interessante, a própria ciência de vanguarda parece beber em fontes antigas e revisitar um conhecimento há muito esquecido. Grande parte do que Kaká explica nos parece extraordinariamente atual, tudo o que a ancestralidade indígena Tupy já conhecia naquela época  parece chegar a nós também através da Física Quântica. Tudo nos parece tão antigo, e ao mesmo tempo tão familiar  e contemporâneo, como se passado, presente e futuro fossem simplesmente a mesma coisa, o mesmo momentum, como se cada um/a de nós fosse um microcosmo, um universo perfeito, como se cada pedacinho fosse um sistema tão perfeito quanto o próprio Cosmos.
Desta forma, a ciência de vanguarda e o conhecimento antigo nos auxiliam para que compreendamos nosso corpo e assim tenhamos mais consciência dos processos que nos acontecem, e, conseqüentemente, tenhamos mais alternativas em nossas vidas e nossos destinos, nos abrem um maravilhoso leque de perspectivas para que possamos lidar tanto com situações harmoniosas como as desfavoráveis com mais equilíbrio e consciência. Numa das tantas frases inspiradoras ditas por cientistas e líderes espirituais no filme “Quem somos nós”, ressalta  esta : “ Você é assim hoje, toma as decisões que toma, porque ninguém lhe ensinou a fazer de outra forma, ninguém lhe mostrou outras possibilidades.” Felizmente, e finalmente, estas possibilidades estão à nossa frente, sendo anunciadas e ensinadas, a fim de que possamos respirar, comer, beber, sentir, andar, falar e agir de uma outra forma, mais coerente, harmoniosa e que vá de encontro a quem realmente somos.


Bibliografia pesquisada

BERENSTEIN, Eliezer. A Inteligência Hormonal da Mulher. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001

TOBEN, Bob; WOLF, Fred Alan. Espaço-Tempo e Além. São Paulo: Cultrix, 1982



Trabalho transdisciplinar de Mary


terça-feira, 13 de março de 2012

A TRAJETÓRIA DO AUTOCONHECIMENTO A CAMINHO DA CURA FÍSICA E ESPIRITUAL: A SAÚDE DO CORPO E DA ALMA EM BUSCA DA PLENITUDE



a)     A ARTE DE VIVER CONSCIENTE (Seminário 4) – Elizabeth Richard. Junho/11
b)     O FEMININO E A CURA (Seminário 5) – Dr. Eliezer Berenstein. Julho/11
c)      TRADIÇÃO SAGRADA ANCESTRAL BRASILEIRA (Seminário 6) - Kaká Werá Jacupé. Agosto/11

A TRAJETÓRIA DO AUTOCONHECIMENTO A CAMINHO DA CURA FÍSICA E ESPIRITUAL: A SAÚDE DO CORPO E DA ALMA EM BUSCA DA PLENITUDE
I. O fio condutor regente dos três seminários

Perseguindo a alegoria do balão multicolorido – utilizada no primeiro trabalho - que sobrevoa a esfera terrestre em vôos rasantes e, com a constante sensação de ser guiado ao sabor dos ventos, nos aventuramos, mais uma vez, na difícil tarefa de elaborarmos este relatório a partir de uma perspectiva holística de nosso processo de ensino-aprendizagem.

Retomando os conteúdos expressos nos três seminários, identificamos um fio condutor que permeia as diferentes abordagens, a partir do qual definimos o título deste trabalho; traduzindo: ao percorrermos uma trajetória evolutiva na busca e conquista do autoconhecimento acessamos a possibilidade da cura de nossas doenças do corpo e da alma.

Ø      Se partirmos da questão essencial que gerou o nascimento do Seminário “A Arte de Viver Consciente” expressa pela inquietude de Weil em responder a seguinte pergunta: “QUAL O SENTIDO DA VIDA”; localizamos no símbolo mais arcaico da história da humanidade representado pela Esfinge uma possível explicação.

A esfinge clássica composta de quatro partes: o boi, o leão, a águia e a cabeça humana, representa as funções básicas constituintes da estrutura do ser humano e seus respectivos estágios evolutivos.
Essa estrutura, considerada como uma escada de ascensão, segundo Weil, é constituída pelos seguintes elementos:
ü      os instintos, ligado ao corpo físico e suas sensações;
ü      as emoções, ligada aos sentimentos e afetos;
ü      a mente, ligada ao sistema intelectual, pensamentos, imaginação e criatividade;
ü      a consciência, como expressão do espírito
Correlacionando a figura da esfinge com a estrutura evolutiva humana, constatamos as respectivas significações:
ü     o Boi, representa os instintos localizado no abdômen, pernas e pés;
ü     o Leão, representa as emoções, localizada no nível do coração, tórax, braços e mãos;
ü     a Águia, representa a mente e as funções intelectuais;
ü     a Cabeça Humana, representa a consciência, localizada em cima da fronte.

Há, ainda, outro elemento, a Serpente a qual se situa no nível da testa, que simboliza a energia, a vida que circula nas diferentes partes da esfinge, consiste no “diretor de cena” que nos permite transmutar ou evoluir dos níveis mais densos do boi, do leão ou da águia para o nível da consciência plena ou transpessoal.

Ø      Ao sobrevoarmos o Seminário “O Feminino e a Cura” observamos, dentre os temas tratados, a contextualização da Medicina na visão ocidental a partir da análise comparativa do juramento de Hipócrates (377 a. C.) e da Oração do Médico, segundo Rambam (Maimônides – Córdoba – 1135), em que o primeiro revela a onipotência do médico diante do processo de cura do paciente e, o segundo, o reconhecimento do poder de cura do paciente através da capacidade do corpo integrar “inumeráveis forças que trabalham incessantemente como tantos instrumentos, de modo a preservar em sua integridade esta linda casa que contem sua alma imortal.”

O foco desse seminário busca resgatar a visão de cura e saúde a partir de uma abordagem integral do ser humano e, especificamente, da mulher na integração e harmonia de sua inteligência hormonal, racional, emocional e social.

Ø      Ao aterrissarmos no Seminário “A tradição Sagrada Ancestral Brasileira” nos defrontarmos com a afirmativa de Kaká Werá que o fundamental para conquistarmos o autoconhecimento e a plenitude da saúde mente-corpo consiste no reconhecimento de dois aspectos essenciais do Homem diante de sua existência:
ü      Honrar os ancestrais: representados pelas ancestralidades:
§  Divina (mundo de cima)- Nhamandú: o imanifestável, o Grande Mistério, o Silêncio Luminoso que se desdobra e se manifesta como Kuaracy – a clara luz, o sol, a emanação luminosa que se desdobra em Tupã: expressão vibratória, o Verbo Criador que cria o mundo através da vibração, do Som. Essa tríade representa a dimensão ancestral divina identificada como a dimensão do ESPÍRITO. Tupã que se desdobra em quatro, passa a constituir a próxima dimensão;
§  Anímica (mundo do meio): responsável pela modelagem do comportamento e representada pelos elementos da natureza – nandejará - e suas respectivas energias: Fogo(Karai), Água(Iacy), Terra(Tupancy) e o Ar (Jakairá). Dessa dimensão surgem os reinos vegetal, animal, mineral e humano, donde deste último resulta a última ancestralidade;
§  Biológica (mundo debaixo): representada por Tupy, primeiro ser humano e, por todos os antepassados que constituem a árvore genealógica humana. Em síntese, nossos ancestrais encontram-se representados pelo Espírito (Nhamandú-Kuracy e Tupã), Alma (Fogo-Karai, Água-Iacy, Terra-Tupancy e Ar-Jakairá) e Corpo (Ser humano, na figura do primeiro homem – Tupy)
ü      Reconhecer a Lei da Interdependência: regida pelo princípio que tudo está ligado a tudo, ou ainda, onde tudo e todos no planeta interferem direta ou indiretamente no desenrolar das respectivas existências.

Portanto, partindo de uma abordagem analítica e associativa das principais idéias e mensagens apresentadas nos três seminários, visualizamos uma convergência e completude entre eles que nos remete a um fio condutor que os une e sintetiza, podendo ser assim descrito:
Ø      O desenvolvimento evolutivo humano quanto à capacidade do homem em apreender a compreensão de si mesmo, deve reconhecer os princípios de sua ancestralidade, a partir dos quais se torna possível a percepção integrada da sua natureza humana alicerçada em sua dimensão divina, anímica e física. As questões envolvendo a saúde, a doença e os mecanismos de cura, somente poderão ser compreendidas e alcançadas por meio de uma consciência plena e aberta na assunção da verdadeira realidade cósmica a qual pertencemos.

II. Paralelos interessantes: falando das mesmas coisas de jeitos diferentes

Ø      Referente aos conteúdos abordados nos seminários 5 e 6, nos chamou a atenção sobre a similaridade entre as diferenças funcionais resultantes do padrão Yin feminino e Yang – masculino de comportamento e a base conceitual do entendimento do IAÔ, como sendo o espírito de vida que se aloja no ser, onde cada um de nós é uma vibração e emanação em relação ao espírito do sol.

Nesse cenário, nos deparamos com as seguintes constatações:
§   Padrão Yin e Yang de comportamento:
ü     Yin - feminino                                    Yang - masculino
ü     Contrátil                                            Expansivo
ü     Conservador                         Exigente
ü     Receptivo                                         Agressivo
ü     Cooperativo                          Competitivo
ü     Intuitivo                                              Racional
ü     Sintético                                            Analítico
§   Na Tradição Tupy somos um raio emanado do sol representado por uma parte masculina em nosso espírito – o IAÔ – que tem como reflexo uma contraparte feminina chamada AVÁ. Essas duas partes complementares são regidas por uma energia feminina – KAT’MIÊ e outra masculina – WAK’MIÊ. A energia feminina é representada pela umidade, noite, luar, inverno e mulher; a masculina por tudo que é seco, verão, dia, sol, claridade e homem. IAÔ e AVÁ em harmonia estão relacionados com o fluxo de energia livre entre o Céu e a Terra – como numa passagem bíblica: “reconcilia-te com o céu e a terra e tudo será resolvido.”

Ø      Da similaridade entre os chacras hindus e os ieres, representados pelo poder da vibração da emanação de um som na Tradição Tupy, denominado TAROVÁ.
§   O TAROVÁ é constituído de 7 centros ou sons, sendo:
ü      1 = Y (pisão no pé), vogal que representa o centro da terra, raiz;
ü      2 = Û (útero) representa a água e o centros emocionais  - sensação;
ü      3 = O (plexo acima do umbigo e abaixo do coração), representa o fogo -  emoção;
ü      4 = A (região do coração) representa o ar – pensamento;
ü      5 = E, representa a essência anímica ligada à simbologia da lua que é a essência feminina, comunicação e expressão da alma.
ü      6 = I (base da nuca) energia de irradiação, sol, caixa de ressonância;
ü      7 = (coronário) som unaudível, aquieta o parakaó (fala interna contínua, “papagaio interior”), visualiza cor ou intento – paz, saúde e boas energias.
ü      8 = o APYTÉ (um palmo acima do sétimo som) = cocar espiritual, estrela guia, é a aura resultante da soma de todos sons.
ü      Quando entoadas em conjunto, essas vogais emanam vibrações constituindo sílabas sagradas que arejam e revitalizam o organismo humano promovendo saúde.
ü      Síntese: Y=Terra, U=Água, O=Fogo, A=AR, E=Lua, I=Sol
Ø      A formação da consciência na Tradição Tupy, assim como para a ciência da psicologia é constituída pela intuição, pensamento, sentimento e sensação, sendo que a cada um deles corresponde um elemento da natureza, a saber:
ü      Intuição = Fogo
ü      Pensamento = AR
ü      Sentimento = Água
ü      Sensação = Terra

III. Considerações Finais
A viagem traçada pelo mapa da existência representa um longo e complexo percurso a seguir, senão pelo tempo cronológico dessa duração incerta, seguramente pela extensão, profundidade e intensidade das experiências e conhecimentos a serem adquiridos e vivenciados.
Na condição de observadores e aprendizes da própria existência, com qual porção de consciência realmente passamos por ela? Quais são as ondas eletroencefalográficas que imperam e preponderam ao longo de nossas vidas?
Passamos boa parte de nosso tempo acordados, no estado de consciência de vigília – ondas beta/rápidas, entretanto, na realidade distraídos em devaneios e quimeras perdidos no tempo passado ou futuro, mas raramente atentos ao momento presente.
Quando sonhamos – ondas alfa e teta , mais lentas, estamos dormindo e movimentando os olhos, mas não raras vezes, não lembramos do que sonhamos.
E o que dizer do sono profundo – reparador – sem sonho, ondas delta muito lentas que tão bem fazem à saúde e, que para muitos, só se torna uma experiência possível quando ninados ao som de antidepressivos e outras drogas soníferas.
Mas o nosso maior sonho, enquanto grande desejo a ser alcançado, é o estado de consciência chamado de superconsciência ou transpessoal que consiste estarmos operando em ondas delta, as do sono profundo, porém, em estado de vigília. Este é estado provado pelos grandes mestres, santos, yogues e praticantes assíduos e experientes das práticas meditativas.
E assim, entre atos e percalços, nos perguntamos quanto aos diferentes estados de nossa consciência:
Vigília, o quanto de ti já desperdicei por não estar atenta ao momento presente reconhecendo os sinais da linguagem sutil da existência e fazendo do aqui e agora a grande oportunidade de exercitar meu livre arbítrio fazendo as melhores e mais acertadas escolhas?
Sonho, o quanto de ti já perdi não fixando as revelações da reedição de experiências passadas e possibilidades de premonição das futuras, pela desimportância de estar em ti atenta ou pela fadiga extenuante do cotidiano?
Sono profundo, o quanto a ti já desejei para recuperar minhas forças, saúde e energia e só pude, muitas vezes encontrá-lo, na farmacologia destinada a aliviar minha dores crônicas, do corpo e da alma?
Ah..... superconsciência o quanto ainda te busco e hei de encontrar nas minhas persistentes investidas das aulas de yoga e da tão difícil disciplina da prática meditativa.
E assim vamos vivendo e caminhando através de nossos estados “normais” ou alterados de consciência.
Porém, sempre nos questionando de como podemos viver plenamente esses diferentes estados absorvendo o máximo de suas experiências ao vivê-los no tempo devido atribuído a cada um deles – nosso presente, passado e futuro.
Como adquirirmos um estado de sanidade física e mental num mundo repleto de disfunções e desarmonias que clamam por adoecimento, insanidade e inundam nossos olhos e mentes com os apelos mercadológicos e miraculosos da indústria farmacêutica que fabrica doenças que não existem e agravam as já existentes?
Como disse nossa mestra Betinha, temos que despertar, acordar enquanto há tempo, pois a vida não avisa: im–provisa. Há premência em nos conduzirmos como peixes capazes de enxergar os princípios de nossa gênese: o oceano; e cometermos a ousadia de enxergar nossa vida possível, além do paredão de vidro – aquário, para nos descobrirmos como seres concebidos para a unicidade, totalidade e transpessoalidade, o que também, pode ser sinônimo de entes capazes de operarem suas próprias curas e milagres.
Reverenciar nossos antepassados, perdoá-los e destituí-los das energias negativas e destrutivas que nos faz adoecer.
Saber reconhecer e espantar nossos algozes e monstros representados na tradição indígena pelos: Anguery (bloqueio mental, idéias fixas obstrutivas e maus pensamentos), Atsyguá (alimentar mágoas e sentimentos que fazem mal à saúde), Karon (espírito gerado pela energia de antepassados que atraem obsessores dominados pela tristeza, dor, depressão ou vícios), Makú (formado por um conjunto de maus hábitos e traços de personalidade danosos) e Mamaé (energia de uma intenção forte arremessada de alguém contra nós).

       Perseverarmos nas práticas que nos conduzem à transpessoalidade como processo curativo, segundo trechos abaixos, extraídos da Carta da Escola Internacional da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã:

Se estivermos no caminho do autoconhecimento é importante fazer diariamente, alguma prática para ir eliminando tudo o que faz mal e, assim, dar espaço ao pensamento do criador para ir se iluminando, ser melhor direcionado, melhor concentrado, melhor irradiado. Por isso, todas as tradições sagradas no oriente e no ocidente, possuem técnicas de meditação, de interiorização para que se possa trabalhar melhor o poder da criação que está vibrando através de você, pois se você não fizer isso, alguém vai fazer.
E, ainda, outro trecho que vale a pena transcrevê-lo:
Quando entramos no silêncio desse modo profundo, um diferente caminho de conhecimento é ativado: deixamos para trás nossa consciência puramente racional e lógica, e começamos a entender as coisas com um tipo de conhecimento intuitivo mais elevado, direto e imediato, a que os primeiros teólogos frequentemente denominavam 'Os Olhos do Coração'.  Ganhamos o acesso à profunda fonte interior da verdadeira visão, a consciência de Cristo em nosso coração. Quanto mais penetramos o silêncio e a imobilidade da meditação, mais clara se torna nossa compreensão intuitiva. Nós apenas 'sabemos'. Isso irriga nossa vida diária e, passamos a seguir, cada vez mais, a voz de nossa intuição.
Orígenes, um dos Padres da Igreja primitiva, foi quem primeiro mencionou os sentidos interiores. Ele dizia haver cinco outros sentidos, em adição aos nossos sentidos físicos comuns. A alma também tem sua visão, seus ouvidos, seu paladar, seu olfato e seu tato.
Todo o propósito da meditação é o de acordar esses sentidos. Ao trazer então a mente para o coração, nosso eu racional não mais dominará nosso ser, mas nosso eu intuitivo, nosso verdadeiro eu, pode infundir o ego, o eu racional, e os dois serão lentamente integrados. Então, passamos a ser verdadeiramente inteiros. Agora, passamos a lembrar quem realmente somos. A meditação nos ajuda a experimentar Cristo como uma forca viva em nós, energizando, curando, transformando, levando-nos a uma maior consciência, integridade e compaixão.
É importante lembrarmos que isso não é algo apenas para a elite; isso faz parte de nossa natureza humana. Um das pedras fundamentais da psicologia junguiana é a de que existe uma tendência intrínseca para a plenitude e, para a integração, no interior da psique de todas as pessoas, que também foi trazida à luz por essa citação de Santo Agostinho:
“Todo o propósito dessa vida é o de restaurar a saúde dos olhos do coração, por meio dos quais Deus pode ser visto”.

Diante de tanta beleza e sabedoria expressas nos trechos acima, só nos resta concluir clamando ao Criador de tudo e de todas as coisas que nos conceda um coração sempre atento para a vidência e o esplendor da vida, eternamente vocacionada para o amor, alegria e compaixão. Vida na saúde, vida na doença, porém, sempre vicejante e plena do SER em Deus.

Ø      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Escola Internacional - Comunidade Mundial para a Meditação Cristã

JACUPÉ, Kaká Werá. Texto : A Árvore Ancestral – Ecomedicina Tupy

WEIL, Pierre. A arte de viver a vida. 2. Ed. Brasília: Letrativa Editorial, 2004. Pg 39 a 55.



Silvana Carolina Gorga - Carol
Setembro-2011

A TRAJETÓRIA DA CONEXÃO DO PENSAR, SENTIR, VIVER E TRANSCENDER



a)            A ARTE DE VIVER EM PAZ: Lydia Rebouças. Março/2011
b)           CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE: Taunay Daniel. Abril/2011
c)            DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS: Renata Carvalho L. Ramos. Maio/2011



A TRAJETÓRIA DA CONEXÃO DO PENSAR, SENTIR, VIVER E TRANSCENDER
 Momento presente: sob o domínio da holopráxis


Numa tentativa, aparentemente, caótica e angustiante de estruturar as principais idéias, percepções, sensações, informações, insights e experiências extraídas dos seminários acima, a partir de uma abordagem não tecnicista e burocrática do saber: eis aí, meu primeiro desafio e lição a ser aprendida.

Temos vivenciado na apreensão dos conteúdos tratados durante os seminários realizados, metodologias pouco convencionais, que seguramente a educação formal na qual a maioria de nós foi submetida, raramente experimentou.

Palavras como surpresa, espanto, encantamento, acolhimento, alegria, emoção, ternura, amorosidade, compartilhamento, música, poesia e dança, traduzem alguns dos sentimentos e práticas vividos durante os encontros, a partir dos quais a concretude de uma formação , de fato, holística, se materializa a cada instante.

Nessa avalanche meteórica de práticas experimentais, as proposições já consolidadas a respeito das formalidades de uma certificação acadêmica, acerca de um curso de pós-graduação como este, são desconstruídas diante do apelo constante e premente de um novo saber que pede passagem.
No decorrer da realização dos seminários pudemos vivenciar verdadeiras práticas de educação voltadas para o espírito, que segundo Yus (2002) correspondem à perspectivas de dimensões pessoais, subjetivas e qualitativas da experiência.

Portanto, as considerações que seguem abaixo, serão um primeiro ensaio desse vôo rasante, sem o manche do antigo avião com sua alta tecnologia de ponta e precisão, dando lugar a um balão multicolorido planando e seguindo seu rumo ao sabor dos ventos, aonde a poesia de uma tarde de outono é capaz de nos levar.

Ø            Primeira escala: O oráculo do anjo no “O Jogo da Transformação” e a “Carta do Insight”.

Após praticarmos um dia e meio de danças circulares reverenciando as memoráveis tradições de diversas culturas, no fim da jornada, na retirada do oráculo do anjo e da referida carta, as mensagens são as seguintes:

ü            Meu anjo é o da ABERTURA.
ü            Minha carta é “Você está sensível às suas necessidades emocionais. (ganhe 3 bônus de consciência).”

Diante de tais revelações, quais os possíveis mecanismos de auto-reflexão poderão ser acionados na tentativa de buscarmos elementos cognitivos e emocionais que possam clarificar essas mensagens?

Segundo Renata Ramos, as Danças Circulares permitem identificarmos o focus, que etimologicamente significa foco = fogo; o momento em que encontro meu fogo interior (Deusa Héstia, da mitologia grega).

Como acessar esse fogo interno para ser um focalizador da minha vida e poder levar para os demais essa mesma luz?

As Danças circulares possibilitam por meio das diversas intenções celebradas – Saudação, Encontros, Vida e Renascimento, Raízes, entre outras – identificar, sentir, manifestar e compartilhar o Fogo ou a luz interior presente em cada um nós e, expandirmos e irradiarmos esse fogo na união alegre a amorosa dividida com o outro.

A dança se transforma num elemento mediador, catalisador e portador do compartilhamento desse fogo interior pessoal integrado na união com o outro, através do círculo completo, único e perfeito do movimento da dança.

As DC carregam e sintetizam o DNA de todo universo, são universalmente viscerais, motivo pelo qual são de domínio público, sem direitos autorais.

Ao trabalharem o nível físico, emocional, mental e espiritual, nos mais diversos contextos sociais – educação, saúde, mundo corporativo – as DC possibilitam nos integrarmos e tornarmos natureza. Da união dessas ecologias – da pessoa e da natureza - brota a sensação de alegria e prazer proporcionados pelas DC.

Tivemos a alegria e o privilégio de sermos conduzidos nas seguintes DC:

§               Saudação:
ü            Enas Mythos – Grécia
§               Encontros e Vida:
ü            Shetland Weding Dance – Escócia
ü            Zigueneurpolka – Holanda
ü            Roda de Carambola – Brasil
§               Raízes:
ü            Escravos de Jó - Brasil
ü            Dança do Sol – Cantata de Bach
ü            Dança da Lua – Vivaldi
ü            Te ofereço Paz – Walter Pini
ü            Cuncti Simus Concanentes – Peregrinos Católicos
ü            Shalom Salam – Israel / EUA

Fazer essa escala nas DC representou uma jornada de intensa vivência em que a linguagem do corpo decodificada pela dança nos permitiu um contato interior pessoal, raro de sentirmos no cotidiano e, mais do que isso, a possibilidade de expandirmos essa sensação na integração com o outro, por meio da dança coletiva e circular.

Reflexão para a próxima escala: o que de VERDADE nos provoca o espanto e a grata surpresa de estarmos sendo realmente tocados seja por conhecimentos ou experiências que de fato nos atingem e transformam?


Ø            Segunda escala: O tédio enfadonho do discurso racional cientificista, pela lógica perfeita e precisa do discurso, cuja conclusão brilhante é um mergulho no vazio.

Nessa passagem, fomos convidados pelo Professor Taunay Daniel a pactuar com o Mito da Lâmpada de Aladim:
“Cada um de nós somos uma Lâmpada de Aladim. O problema é aonde a gente esfrega a lâmpada para o gênio se manifestar.”

O convite é feito numa roda formada pelo grupo, com uma vela acesa ao centro, sendo o fogo da vela a chama que deverá manter-se sempre acesa entre nós, por nos reconhecermos como seres em permanente processo de evolução. Seres inacabados, não nascidos prontos, que visualizam na chama da vela a virtude da humildade, da nossa ignorância perante a complexidade do universo e, por isso, da necessidade de estarmos dispostos à abertura do conhecimento do novo e desconhecido.

Dizer coisas que sejam capazes de despertar o gênio de cada um de nós, revela a questão proposta pelo referido mito que consiste no Conceito do Livre Arbítrio.

Em nossas aprendizagens ao longo da trajetória histórica de nossas vidas, o quanto nos permitimos, por meio do livre arbítrio, escolhermos o contato, ou ainda, o confronto com a luz e a sombra que nos acompanham?

Quanto tempo será que levaremos para diferenciar o essencial dos acessórios que  nos rodeiam e nos distraem, sobre qual a melhor e mais correta rota a ser seguida?

Segue, abaixo, trecho extraído de obra de John Main (2007), sobre essa questão:

O que lhes estou sugerindo é que existe um verdadeiro perigo para o homem religioso – e na verdade para todos os homens – de viver nossa vida voltados para proposições em lugar de aprofundar nossa atenção, de estarmos despertos para apreender e nos comprometermos com a verdade viva que nos torne autênticos. Há um perigo real para nós, homens religiosos, de nos tornarmos facilmente presunçosos e satisfeitos com nós mesmos, autocomplacentes ao repetirmos nossas fórmulas e credos. Como, por exemplo, um político pode satisfazer-se facilmente falando de liberdade, fraternidade e igualdade. E o resultado dessa intelectualização excessiva de nossa vida é que, em muitos casos, tornamo-nos apenas pessoas semivivas. Ou, para dizê-lo de um modo menos agradável, estamos semimortos. ...Ora, qual é o caminho para seguir em frente?” Pg. 32 e 33

Segundo declaração de Pierre Weil (1993), ele revela quais os caminhos na sua história pessoal foram buscados diante dessa questão e crise existencial:

Essas perguntas me levaram a procurar e encontrar caminhos para respostas e saída da crise. Resolvi fazer psicanálise no divã quatro vezes por semana a aprender a praticar yoga. Um caminho ocidental e um caminho oriental. ...Sai da minha crise, descobri minha vocação humanista na psicanálise, e na yoga, funções adormecidas me permitiram ver diferentemente a energia, o que mudou minha visão do lugar do ser humano no universo.” Pg. 102

Conforme relato feito por Taunay de um episódio de sua vida, passada em um ano de quase completa reclusão, numa pequena casa localizada nos recôndidos de uma floresta, as grandes obras, os clássicos ícones da literatura que compunham a maior parte de sua bagagem, ficaram na maioria intocáveis.

Na fantasia de acreditar que o tempo “sabático” lhe permitiria degustar essas obras, ao entrar em contato com seus conteúdos, percebeu por trás de tantas retóricas brilhantes e discursos logicamente perfeitos, a total ausência de algo essencial e indispensável a ser comunicado à sua alma humana.

De acordo com Taunay, um poeta tem muito mais competência para revelar a verdade do que um físico, porque a linguagem poética é metafórica – rica de significados – e a linguagem científica é técnica, pobre e limitada.

Diante dessas questões como compatibilizar uma aproximação possível entre a ciência e seu racionalismo científico, e a fé, a crença e a espiritualidade?

Segundo a Declaração de Veneza (em Weil, 1993) no seu item 2, encontramos:
O conhecimento científico, no seu próprio ímpeto, atingiu o ponto em que ele pode começar um diálogo com outras formas de conhecimento. Nesse sentido, e mesmo admitindo as diferenças fundamentais entre Ciência e Tradição, reconhecemos ambas em complementaridade, e não em contradição. Esse novo e enriquecedor intercâmbio entre ciência e as diferentes tradições do mundo abre as portas para uma nova visão de humanidade e, até, para um novo racionalismo, o que poderia induzir a uma nova perspectiva metafísica. Pg. 108

Nesse caldeirão de inquietações e perplexidades, o bom de ouvir e “reservar” são as dicas gastronômicas de uma sopa filosófica, em que seus ingredientes “humanos leguminosos” se misturam e se completam no aroma e sabor, constituindo aquilo que podemos denominar como nossa condição irremediavelmente humana, de seres gregários e dependentes uns dos outros, unidos pelo sal da vida, também conhecido como AMOR.

O amor incondicional que deve nos unir, nosso “Ágape”, como elemento fundamental para a instauração da Paz entre os homens.

E é nesse momento, que partiremos para nossa última escala.

Ø            Terceira Escala: A Arte de Viver em Paz como meta constante a ser perseguida em nossa condição humana planetária.

Pelas mãos habilidosas de Lydia Rebouças vivenciamos nesse seminário aquilo que podemos considerar o princípio, o meio e o fim de todo a caminho a ser trilhado em nossa formação holística.

A Arte de Viver em Paz, possível de ser alcançada por meio de movimentos integrados e convergentes, oriundos da ecologia interior, social e planetária, representam os elementos geradores da materialização da Paz no mundo.

A Paz resultante de um processo contínuo de Movimento e Inteireza, em que a origem de tudo se dá a partir da percepção e ação integrada do indivíduo na sua relação matéria – corpo, vida – emoções e inteligência - mente.

Segundo a UNESCO, “as guerras nascem na mente das pessoas; logo, é na mente das pessoas que devem ser erguidos os baluartes da Paz.”

Da fragmentação entre o indivíduo, a sociedade e a natureza nasce a fantasia da separatividade. Ao criarmos muros em torno de nós, nos fechamos em nossos castelos e nos separamos do outro e da natureza. Esse processo de isolamento proveniente dessa percepção fragmentada de si mesmo, nos separa de nós mesmos, da nossa essência.

Ao me separar do outro e da natureza, me separo de mim mesmo.

Como diz Weil (1993):

Assim, não pode haver verdadeira paz no plano pessoal quando se sabe que reinam a miséria e a violência no plano social ou que a natureza nos ameaça com a destruição porque nós a devastamos. pg. 37

Ainda, segundo Weil (1993):

As tradições espirituais são unânimes em afirmar que existem, em cada um de nós, funções ou qualidades emocionais diretamente responsáveis pela manutenção da paz interior, social e planetária, que podem se resumidas em:
1.             Alegria: somos feitos para viver a alegria, sobretudo, aquela que sentimos ao ver a felicidade alheia;
2.             Amor altruísta: definido pelo desejo de paz e felicidade estendido a todo mundo, seguido da ação que realizará essa meta;
3.             Compaixão: é o desejo de aliviar a dor do outro. Afinal como podemos viver em paz sabendo que existe sofrimento a nossa volta? pg. 74

Portanto, pensar globalmente e agir localmente, a partir de uma práxis integrada das ecologias interior, pessoal e planetária, nos afastando da inércia da “Roda da Destruição”, em que há ausência do espiritual permeando as relações existentes, representa nosso desafio e nossa meta de uma sobrevivência sã e pacífica no planeta.

Ø            Considerações finais: Retornando ao oráculo e à carta.

Após ter ousado realizar o vôo no balão multicolorido, ao sabor da direção dos ventos, com o receio de sucumbir ao caos no desenvolvimento das idéias e percepções aqui relatadas, fico com a prazerosa sensação de ter conseguido chegar nesta última página, após tantas incursões, mais que teóricas, eminentemente  existenciais e filosóficas.

E creio que assim deverão permanecer a ser: palavras e reflexões que façam sentido e eco na alma, rumo ao processo evolutivo de transformação interna, social e planetária.

O anjo da abertura e a carta de estar sensível às minhas necessidades emocionais me levam a crer e a corroborar o sentimento de estar seguindo o melhor e mais correto caminho a escolher.

Certamente, as escolhas resultantes dessa direção a ser seguida me renderão muito mais do que simples “03 bônus de consciência.”

Sob o domínio da práxis, porque a seleção dos conteúdos que alimentam nesse momento a minha alma está centrada nas experiências vividas pelo meu corpo e meu espírito. Elas decodificam significados simbólicos, repletos de revelações metafóricas e materiais que refletem diretamente na maneira pela qual venho conduzindo minha existência.

Citando, mais uma vez John Main (2007), para finalizar:

Certa vez perguntaram a Jung, numa entrevista, se acreditava em Deus. Jung fez pequena pausa de alguns momentos, respondendo em seguida com simplicidade e mansidão: “Não, eu conheço.” ...ao ler os salmos não os lemos ou memorizamos apenas, mas “apreendemos o seu sentido, não pela leitura do texto e sim pela experiência.”E o sentido das palavras da Escritura, diz ele, nos é revelado, não tanto por um comentário exegético, mas pelo que Cassiano denomina “prova prática”, pois nossa própria experiência revela as veias e a medula da Palavra de Deus.” pg 44

Usufruindo das benesses de uma formação holística, não há como resistir à oportunidade de sermos agraciados com a permissão de nos expressar através da arte.

Pela alegria, intensa emoção e crescimento interior promovidos pela condução magnânima de nossa querida Lydia Rebouças, descrevemos abaixo, a letra de música da minha autoria – “Olhos” – que pudemos compartilhar durante esse primeiro seminário.

Olhos

Olhos lindos olhos
Diga aos olhos do mundo quem sou
Olhos lindos olhos
Diga quem sou, a quem em ti for se mirar

Espelho d’alma
Exposto ao mundo exterior
Estrela matutina
Folha-corrida interior

Às vezes criança
Saltitantes, tão azuis
Às vezes serpente
Tão ardentes

Você é só contradição
Tradutor da emoção
Parece até camaleão

Azul mar quando alegres
Cinzento treva quando dor

Olhos, lindos olhos
Transparência plena do que sou.

Paz e Bem - Silvana Carolina Gorga de Cavero – junho/2011



Ø     Referências Bibliográficas

MAIN, Jonh. Meditação Cristã. São Paulo: Editora Paulus, 2007
WEIL, Pierre. A Arte de Viver em Paz. São Paulo: Editora Gente, 2003
YUS, Rafael. Educação Integral: uma educação holística para o século XXI. Trad. Daisy Vaz de Moraes. Porto Alegre: Editora Artmed, 2002

 Trabalho transdisciplinar 
Silvana Carolina Gorga - Carol